Método

O que não automatizar: quatro perguntas antes de investir

Metade do valor de um diagnóstico está em dizer o que não fazer. Quatro perguntas resolvem isso sem discussão sobre gosto ou opinião.

Nº 004Henrique Bastos4 min de leitura

Metade do valor de um diagnóstico está em dizer o que não fazer. E existe um teste objetivo para isso, que evita a discussão sobre gosto e opinião.

As quatro perguntas

Antes de uma oportunidade entrar no roadmap, ela passa por quatro perguntas. Os quatro sins indicam que a IA resolve a maior parte do trabalho. Um não relevante já muda o escopo ou elimina a ideia.

  • O dado de entrada é estruturado? Formulário, e-mail, planilha, base. Se a entrada é caótica e sem padrão, o problema é de processo antes de ser de IA.
  • A saída é previsível? Resposta padronizada, classificação, resumo. Se cada saída precisa de julgamento novo, automatizar cria retrabalho em vez de eliminar.
  • A decisão segue uma regra? Se X, então Y. Regra que muda toda semana vira manutenção eterna.
  • A tarefa se repete com frequência? Diária ou semanal. Tarefa rara custa mais para manter do que economiza.

Onde a IA não entra, mesmo que o cliente peça

Existem quatro territórios onde a resposta é não, independentemente do orçamento: conflito sensível com cliente ou com o time, decisão estratégica de longo prazo, dado totalmente sem estrutura, e tarefa de baixo valor e baixa frequência.

Dizer “isso aqui não é caso de IA” aumenta a credibilidade de tudo que vem depois.

Quem aceita qualquer escopo está vendendo. Quem recusa parte dele está diagnosticando, e é essa diferença que o cliente lembra seis meses depois.

Deixa seus dados e uma linha sobre o desafio. A gente volta com o próximo passo, sem enrolação.

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